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Casos de sucesso - O drama das adoções internacionais

postado em 3 de mai de 2014 17:02 por DESAPARECIDOS DO BRASIL   [ 28 de jul de 2015 19:08 atualizado‎(s)‎ ]



Fevereiro de 2012

Da série -  Onde estão nossas mães?



– Ela era linda. Pele clara, olhos verdes. Me lembro quando a enfermeira veio e a levou para o berçário. Foi a última vez que vi minha filha – 


Foi em Dezembro de 2011 que recebemos o primeiro e-mail de Miriam Aumann de Israel, na época ainda solteira, em que ela nos enviava seus documentos de adoção e fotos para localizarmos sua mãe biológica no Brasil. Hoje já é casada e tem um lindo bebê.

Alair faz parte de um grupo de mães que tiveram seus filhos sequestrados há 26 anos atrás. Logo ao nascer, o bebê foi enviado ao exterior e lá adotado por um casal de israelenses. 
A criança, uma menina, sempre soube do seu passado, que era nascida no Brasil, e hoje, já adulta e movida pelos seus sonhos, chegou até nosso grupo de voluntárias com a esperança de encontrar sua mãe biológica. 

Não imaginávamos, na época, que haveriam tantos casos semelhantes onde a mãe ficou órfã do filhinho recém nascido, levado para o exterior pelas quadrilhas do tráfico de bebês.
Quando começamos a receber os casos de adoções irregulares internacionais, não havia informações na internet sobre o assunto e o aprendizado veio  através de muito trabalho.

Meses e meses de pesquisas em bibliotecas empoeiradas  procurando pistas  através de antigas publicações em jornais. Fui buscar nas edições dos anos 80, do Diário Catarinense,
para tentar achar pistas daquelas mães. ( fotos  em anexo)

Finalmente, em fevereiro de 2012, a primeira esperança!  E lá fomos eu e a amiga Isaura, representando nossas outras companheiras (os) do grupo ( Sandrinha (in Memorium), Cléo, Andréa, Mônica e Lior) rumo a Bombinhas/SC.  Isaura saindo de Curitiba e eu de Floripa, nos encontramos lá. 
A viajem, cheia de contratempos, um dos ônibus atrasou e perdemos o horário de almoço da ALAIR que estava no trabalho. Tivemos que esperá-la encerrar o expediente e só a tardinha então, pudemos finalmente trocar emoções. Tínhamos pouco tempo para conversar porque nosso ônibus  sairia em meia hora.
Levei as fotos da Mirian e entreguei nas mãos da Alair que emocionada e admirada não parava de olhar  a imagem. Naquele momento, passou pela sua cabeça os últimos 26 anos de dor e saudade da  filha desaparecida que ela só viu ao nascer.
Então ela falou emocionada :– Ela era linda. Pele clara, olhos verdes. Me lembro quando a enfermeira veio e a levou para o berçário. Foi a última vez que vi minha filha –  " É a cara do irmão dela mais velho" 

Agora precisamos da comprovação de um DNA para tirar qualquer dúvida que possa existir.

-- Hoje, a Mirian em Israel, vai receber as fotos que tiramos da  Alair, sua mãe biológica e daqui para a frente, esperamos que a sociedade nos ajude a encontrar outras centenas de mães que também  tiveram seus bebês sequestrados e esperam por esse momento mágico do reencontro. Qualquer informação pode ser enviada para nosso email de contato.

Alair tem mais três filhos de outro casamento, irmãos que Miri, os quais ela quer muito conhecer.
O reencontro e abraços ainda vão ter que esperar um pouco,  dependem  de um exame DNA, que tem custos e infelizmente Alair não teria condições de pagar. 






ALGUM TEMPO DEPOIS

Após termos localizado a Alair,  não houve, de imediato um contato maior entre mãe e filha.  A dor, as mágoas carregadas  por tantos anos no coração da jovem adotada e talvez o medo, fizeram com que ela se retrair e não mais respondia as mensagens através do Facebook.  Alair que havia ficado imensamente feliz ao receber notícias da filha, passou a ficar angustiada, perguntando a si mesma, por que a filha a estava despresando. Seria porque ela se envergonhou da pobreza da mãe? 

Um longo ano se passou sem que houvesse uma aproximação maior. Miriam, nesse meio tempo casou, engravidou e teve um lindo bebê.  Pelo Facebook a família biológica aqui no Brasil só pode acompanhar pelas fotos na rede.  Só depois que o exame de DNA (05/2013)  confirmou a maternidade da Alair com Mírin, é que o gelo começou a derreter. O processo de reaproximação é longo, tem seu tempo e com certeza ainda terão oportunidade de dar o abraço tão esperado.

Em 09/5/2013, recebemos o resultado do Laboratório Genético, onde os exames de DNA finalmente tiraram toda e qualquer dúvida em relação a maternidade e com um resultado de 99,99% está comprovado que as duas são mãe e filha!!  


 Parabéns família!

Que este resultado já  previsto do exame genético, seja o 
início de uma nova vida para mãe e filha, um dia separadas
 pelo destino mas que a grandeza de Deus novamente uniu.

Que possam finalmente esquecer tudo que passou e recomeçar um novo
caminho de muita Paz, Amor, União e Harmonia.

São os votos meus e de toda equipe do Desaparecidos do Brasil

I.Amanda Boldeke




Ver mais:



Se você souber de informações sobre as outras mães, entre em contato. 

contato@desaparecidosdobrasil.org

Proibida a reprodução das histórias. Autorização por escrito  -  Direitos Autorais


Nosso encontro com Alair - 
Reencontro
    
Localizamos a mãe da Mirian, em Fevereiro de 2012.


Abaixo. A exaustiva busca em jornais antigos pela 
ROTA DO TRÁFICO DE BEBÊS EM SC



Nos velhos jornais encontrei a primeira pista de ALAIR - O depoimento dela, aos 22 anos, quando soube que a filha tinha sido levada para fora do país. 

http://www.desaparecidosdobrasil.org/_/rsrc/1336329447827/encontramos-a-primeira-me/alair%20machado.jpg?height=219&width=400

 

Matéria no Diário Catarinense

Seis meses depois, levamos os casos das adoções internacionais para a mídia, com o objetivo de divulgar a situação dos  filhos levados pelo tráfico humano à outros países e a difícil  tarefa para encontrar pistas das suas mães biológicas no Brasil, das quais só se tem um nome, nada mais.



Órfãos do Brasil 08/08/2012 | 07h14

Brasileira vendida na infância rejeita a mãe ao encontrá-la em Santa Catarina

Miri Levran vive agora em Israel. Dedicou anos à busca da mãe biológica, a quem desistiu de conhecer

"Com ajuda de voluntárias que buscam pessoas desaparecidas, Miri conseguiu o que seus colegas de adoção não tinham alcançado, ou seja, identificar a mãe. Parecia mais um dia na vida humilde de Alair, na pousada onde trabalha em Bombinhas, quando um recado no meio da tarde interrompeu sua rotina e mudaria radicalmente seus próximos meses.

– Elas queriam falar sobre Miriam Machado – relembra Alair, referindo-se às voluntárias Amanda Boldeke e Isaura Mandryk.

Miriam Machado é o nome que Alair deu à filha nascida em Tijucas, a 40 quilômetros de Florianópolis.

– Ela era linda. Pele clara, olhos verdes. Me lembro quando a enfermeira veio e a levou para o berçário. Foi a última vez que vi minha filha – lembra Alair, arrependida do que fez."

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