Enigma no desaparecimento de 1976

Cecília São José de Faria desapareceu em 1976 
e está entre os 2.574 investigados pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Estado de MG


Cecília tinha apenas um ano e dez meses quando desapareceu misteriosamente num acampamento em Guarapiri no Espírito Santo, no ano de 1976.



Enigma
Fonte: R7 Notícias-MG

A família de Cecília fez as malas e embarcou para a viagem em fevereiro de 1976, em busca de repouso para a mãe, Maria Francisca de São José, que havia acabado de fazer uma cirurgia.

Aconselhada por uma colega de trabalho, Maria Francisca recebeu a indicação de um local “bom e seguro” para onde pudesse levar os quatro filhos (Amilcar, Eustáquio, Débora e Cecília) e se recuperar da operação.

O acampamento era um local restrito, onde apenas pessoas indicadas por membros de uma igreja poderiam entrar. Segundo Débora, o local ficava em uma área privativa, com controle de portaria e longe da praia.

A família chegou ao acampamento por volta das 8h do dia 2 de fevereiro. Após um passeio na praia, as crianças foram levadas para casa e, uma a uma, iam sendo levadas para tomar banho pela babá.

— Eustáquio e Cecília brincavam com uma bola de plástico. O Eustáquio jogou a bola para o lado da porta da cozinha, Cecília foi buscá-la e não voltou. Neste momento, a babá foi chamá-la para tomar banho e não a encontrou.

Apesar de se lembrar do momento em que Cecília foi vista pela última vez, Débora e o restante da família não conseguiram ver o que, de fato, aconteceu com a garota.
— Minha mãe disse que viu uma Kombi branca estacionada próximo ao nosso acampamento.

A época em que aconteceu o desaparecimento de Cecília era de alta temporada turística na cidade litorânea e o os demais chalés do acampamento estavam todos ocupados. Apesar disso, ninguém viu ou ouviu nada.

— A gente acha estranho, porque era uma criança que gritava muito, era bastante escandalosa.

Apesar de não ter provas concretas, a família não descarta a hipótese de que tenha sido algo premeditado. Após o incidente, a família só voltou à cidade cerca de uma década depois. Débora conta que foi a única a ir ao acampamento novamente, para tentar lembrar de alguma coisa que pudesse ter passado despercebido no dia do desaparecimento. A mãe nunca mais pisou no local.

— Não tenho a esperança que ela me chame de irmã. Mas a gente quer saber o que aconteceu com ela, para pôr uma pedra em cima disso.

Mais de três décadas após o sumiço de Cecília, a família ainda busca por informações sobre seu paradeiro. Cada nova informação que possa ajudar a encontrá-la reacende as esperanças de todos. A delegada responsável pela Delegacia de Desaparecidos de Minas Gerais, Cristina Coeli, diz que essa esperança não é totalmente infundada.

— A possibilidade de encontrarmos a Cecília com vida é muito grande. Não encontraram corpo até hoje e existe essa história da Kombi, o que indica um possível sequestro. A dificuldade é que se, de fato, ela foi sequestrada, ela não sabe e precisa se reconhecer na imagem.

Apesar de acreditar que Cecília esteja realmente viva, a delegada reconhece que não é um caso que possa ser resolvido de forma simples. Dos milhares de desaparecimentos registrados no Estado, Cristina afirma que este está no grupo dos mais complexos de serem solucionados.

- O caso da Cecília, por se tratar de desaparecimento enigmático (quando não há nenhum tipo de pistas sobre a possível motivação ou autoria) é complexo, de difícil apuração, e dependemos muito da informação de terceiros.

A família, apesar de evitar conversar sobre o assunto desde que a mãe teve um AVC(acidente vascular cerebral), em 2005, não desiste de procurar pela criança que hoje é uma mulher de 37 anos.

A delegacia oferece um número telefônico exclusivo apenas para informações sobre desaparecidos. É o 0800 28 28 197.






  
Desaparecido mais antigo - cecília são josé

Foto da esquerda, como ela era quando desapareceu - 
A direita, projeção da idade atual
  Cecília São José

"Cecília São José de Faria, o manto de Jesus
 te cubra onde quer que você vá” diz a mãe em oração




A advogada Maria Francisca São José Faria, de Betim, na Grande BH, nunca mais conseguiu descansar. A partir da data do desaparecimento, 2 de fevereiro de 1976, todos os dias ela acende
uma vela rezando pela volta da filha, que hoje estaria com 37 anos. 

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