Operação Planeta liberta brasileiras traficadas para a Espanha

postado em 1 de fev de 2013 10:32 por DESAPARECIDOS DO BRASIL   [ 1 de fev de 2013 19:47 atualizado‎(s)‎ ]
30/01/2013

A Operação Planeta, que prendeu um casal de Salvador, na última quarta-feira (30/1), acusado de levar brasileiras para casas de prostituição na Espanha, resultou na libertação de cinco baianas, entre as traficadas no país europeu. As garotas, cujos nomes não foram divulgados, têm entre 20 e 30 anos e trabalhavam em dois prostíbulos. ►



Operação Planeta da PF combate tráfico internacional de pessoas



Salvador/BA – No âmbito da cooperação policial Brasil-Espanha, a Polícia Federal e a Polícia Espanhola (Cuerpo Nacional de Policia), desencadearam hoje, 30/01, a Operação Planeta, com o objetivo de desbaratar organização internacional, com atuação em ambos os países, dedicada à prática de tráfico de pessoas para fins de prostituição.

As ações ocorrem simultaneamente no Brasil e na Espanha, para cumprir, em território brasileiro, dois mandados de prisão preventiva, um mandado de condução coercitiva e três mandados de busca e apreensão. Em território espanhol serão cumpridas prisões, o fechamento de duas casas de prostituição, além da busca e apreensão na casa dos presos e em estabelecimentos.





















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A operação foi deflagrada depois de uma denúncia anônima feita por uma pessoa que conhecia uma das meninas e que comparou o comportamento dela ao de personagens da novela Salve Jorge, da Rede Globo, que trata do tráfico de pessoas. Na trama, brasileiras são escravizadas e induzidas à prostituição na Turquia



Veja também: Tráfico de Pessoas - casos reais





Cidadãs brasileiras eram recrutadas por aliciadores na cidade de Salvador, com a promessa de trabalho na Espanha. Recebiam do grupo além da oferta de emprego, passagem aérea e dinheiro para despesas pessoais. Ao chegar ao território espanhol, eram surpreendidas e expostas a situação degradante de moradia e trabalho, além de tomar ciência de que a dívida, pré-constituída, seria cinco vezes maior.

O trabalho da Polícia Federal foi motivado por uma denúncia recebida pelo “Ligue 180” da Secretaria de Política Para as Mulheres (SPM), do Governo Federal.

O resultado desse trabalho demonstra a importância da projeção internacional da Polícia Federal por meio de Adidâncias Policiais e Oficialatos de Ligação, o que permitiu uma rápida e eficiente troca de informações, por intermédio de sua Representação na Embaixada do Brasil em Madri, com as autoridades espanholas, para a execução da operação.

Os envolvidos serão indiciados pela prática dos delitos de tráfico internacional de pessoa para fim de exploração sexual e formação de quadrilha, sem prejuízo dos demais delitos constatados ao final da apuração.

Comunicação Social da Polícia Federal na Bahia
Contato: (71) 3319-6003 - (71)9983-2728
 
Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 . Disponível gratuitamente para três países - Espanha, Itália e Portugal que somam 92% da demanda recebida pelo governo brasileiro -, serviço já tem demanda de mais cinco: El Salvador, França, Inglaterra, Luxemburgo e Suíça
 





 



Legislação Espanhola - As vítimas têm direito à proteção em caso de denunciar os exploradores. Se não quiserem, normalmente, são deportadas por infringir a lei de imigração.

Segundo a ONG espanhola RED espanôla contra la trata de personas, uma pesquisa realizada junto a 26 organizações internacionais, revelou que o comércio de mulheres,  muitas delas menores de 18 anos, aumentou em mais de 50% nos últimos cinco anos, movimentando cerca de 7 bilhões de dólares por ano, ou 12 bilhões de reais.

Cerca de 1 milhão dessas pessoas são revendidas pelas quadrilhas de traficantes de pessoas aos bordéis, para prostituiçao, na Espanha, Itália, Grécia, Alemanha, Bélgica, Holanda, Suiça e Portugal.

A Espanha é um dos maiores receptadores, onde atuam as principais redes de contrabando. Uma mulher tem o preço estimado de dois mil a sete mil reais, dependendo da idade, aparência física e experiência. As mais jovens são sempre as mais caras.

Segundo a psicóloga Iana Matei, sai mais barato explorar uma mulher porque as leis são benevolentes e a sociedade ignora o assunto. Os traficantes estão percebendo que correm menos riscos vendendo mulheres do que vendendo entorpecentes.

A legislação espanhola sobre tráfico de seres humanos prevê pena de dois a 10 anos de cadeia. As vítimas têm direito à proteção em caso de denunciar os exploradores. Se não quiserem, normalmente, são deportadas por infringir a lei de imigração.
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