Cadastro nacional ignora sumidos em Minas

postado em 8 de jan de 2014 10:51 por Desaparecidos do Brasil   [ 8 de jan de 2014 10:53 atualizado‎(s)‎ ]


Dos 610 desaparecimentos de menores no Estado em 2013, apenas cinco estão em lista nacional

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ALINE LOURENÇO

Todos os anos, várias famílias em Minas vivem o drama de ter crianças e adolescentes desaparecidos. Ainda assim, a ferramenta disponibilizada pelo Ministério da
Justiça e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que poderia ajudar a localizá-los, é subutilizada e ignora quase a totalidade dos mineiros que sumiram em 2013.

Em maio, O TEMPO mostrou que nenhuma criança ou adolescente desaparecido no Estado havia sido incluído no Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos até então.

Passados oito meses, pouca coisa mudou. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), 1.588 casos de desaparecimento foram registrados no Estado entre janeiro e agosto do ano passado, incluindo 610 menores de idade – os dados mais atualizados, até dezembro, não foram informados. Até a última sexta-feira, apenas cinco menores desaparecidos em 2013 tinham sido incluídos no cadastro nacional, criado em março.

Entre eles está a menina Emilly Ferrari, 8, que foi vista pela última vez, em maio, na porta de casa em Rio Pardo de Minas, no Norte do Estado. Os dados sobre a criança foram incluídos pela Delegacia Especializada em Localização de Pessoas Desaparecidas da capital, que assumiu o caso em julho passado – dois meses após o desaparecimento de Emilly. A informação no cadastro, porém, poderia ter sido disponibilizada antes se a família da garota tivesse sido informada sobre a existência do banco de dados. “Se eu, que passo por situação de desaparecimento dentro da minha família, nunca ouvi falar do cadastro, imagina quem está ‘de fora’? Não adianta divulgar só na internet, que nem todas as famílias têm acesso”, reclama a mãe de Emilly, a professora Tatiany Ferrari, 30.

Para a presidente da Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas, Ivanise Esperidião, o cadastro nacional não representou avanço. “Enquanto ele for aberto ao público e ficar por conta das famílias preencherem os dados, continuará defasado, pois poucas são informadas sobre o cadastro. O ideal seria que o delegado responsável registrasse a queixa no momento em que é feito o boletim de ocorrência”, avalia.

Quando O TEMPO mostrou a defasagem do cadastro, o delegado Dagoberto Batista, da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, alegou que todos os dados de Minas haviam sido enviados. Ele garantiu ainda que todas as informações de desaparecidos seriam reenviadas. A reportagem procurou a assessoria da Polícia Civil, mas o órgão informou que só seria possível disponibilizar uma fo

nte para falar sobre o assunto hoje.

Fonte: O Tempo

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