Em seis anos quase 500 brasileiros foram vítimas do tráfico de pessoas

postado em 16 de out de 2012 16:46 por DESAPARECIDOS DO BRASIL   [ 16 de out de 2012 17:04 atualizado‎(s)‎ ]
Ministério da JustiçaOs números revelados pelo documento ainda podem estar distantes da realidade.
O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, admitiu que o registro de tráfico de pessoas 
ainda é deficiente no Brasil, principalmente
porque as vítimas não se apresentam ou não se reconhecem nessa situação.


Tráfico Humano - 

Registros feitos de 2005 a 2011

Exploração sexual = 70%
Trabalho análogo à escravidão = 30%

Características = mulheres entre 10 e 29 anos.

Maior incidência = 10 a 19 anos com baixa escolaridade.

Principais registros = Pernambuco, Bahia e Mato Grosso do Sul.

Principais destinos = Holanda, Suíça, Espanha.

Os números revelados pelo documento estão distantes da realidade no país. A maioria das vítimas não se apresentam.

 Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e pelo Unodc.

Brasilia 16/10/2012

Por Carolina Gonçalves - Agência Brasil

16/10/2012


Desse total, 337 casos, que representam mais de 70% dos registros feitos de 2005 a 2011, referem-se à exploração sexual. Mais 135 ocorrências tratam de trabalho análogo à escravidão. Os dados foram divulgados hoje (16), em diagnóstico preliminar sobre o tráfico de pessoas no Brasil elaborado pela Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).


O levantamento mostra que a maioria dos casos foi registrada nos estados de Pernambuco, da Bahia e de Mato Grosso do Sul. Segundo o diagnóstico, a maioria das vítimas brasileiras tem como destino os países europeus Holanda, Suíça e Espanha.

O Suriname, que funciona como rota para a Holanda, é o país com maior incidência de brasileiras e brasileiros vítimas de tráfico de pessoas, com 133 casos, seguido da Suíça, com 127. Na Espanha, o número de vítimas chegou a 104 e, na Holanda, a 71 pessoas.

A estratégia brasileira para combater o tráfico de pessoas tem se baseado em campanhas de conscientização e em uma rede nacional de apoio às vítimas. De acordo com informações da assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, o governo federal vai anunciar, nos próximos dias, um pacote de medidas para o enfrentamento ao tráfico de pessoas.

Os dados do diagnóstico parcial foram levantados a partir de estatísticas criminais sobre o tráfico de pessoas no Brasil, do Departamento de Polícia Federal, da Secretaria Nacional de Segurança Pública e de outros organismos como a Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores.

Ainda não é possível um consenso sobre o perfil dos traficantes a partir dos registros nos vários órgãos que tratam o problema. Dados da Polícia Federal revelam que as mulheres são as principais aliciadoras, recrutadoras ou traficantes, chegando a representar 55% dos indiciados. O Sistema Penitenciário Federal revela um número maior de homens presos por atividades criminosas relacionadas ao tráfico de pessoas. No Ministério da Saúde, cerca de 65% dos casos de agressão a vítimas de tráfico de pessoas foram cometidos por homens.

Informações do Ministério da Saúde mostram que, em 2010, 52 vítimas de tráfico de pessoas procuraram os serviços de saúde. Em 2011, foram 80 vítimas. De acordo com o órgão, a maioria dos registros é feita por mulheres, na faixa etária entre 10 e 29 anos. Nesse grupo, há uma maior incidência de vítimas entre 10 e 19 anos, de baixa escolaridade e solteiras.

A Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República recebeu 76 denúncias de tráfico de pessoas em 2010 e 35 em 2011.


 Fonte  Agência Brasil



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