Escândalo. A busca perdida por um desaparecido

postado em 22 de abr de 2014 12:56 por DESAPARECIDOS DO BRASIL   [ 22 de abr de 2014 13:06 atualizado‎(s)‎ ]

Ministério Público de SP quer saber: Porque pessoas identificadas foram enterradas como indigentes?

A direção do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos da Capital de SP) afirma não ter equipe nem dados suficientes para procurar familiares de pessoas mortas cujos corpos chegam ao serviço.

O médico Carlos Augusto Pasqualucci, professor e membro da diretoria do SVO ( órgão ligado a Faculdade de Medicina da USP), admite que falta uma "estrutura central" para comparar os nomes que passam pelo SVO com os de desaparecidos. Os corpos são encaminhados pela Polícia Civil, por isso os distritos policiais é que devem ser primeiramente procurados por familiares de desaparecidos, diz ele.

NOTÍCIA CHOCANTE

Cláudio Rocha, teve o pai de 71 anos desaparecido em 2000 e passou os últimos 14 anos de sua vida procurando por ele em hospitais, delegacias de São Paulo, IMLs sem sucesso. Na última semana ele recebeu um telefonema inesperado, seu pai havia sido enterrado como indigente em março de 2000, quando faleceu após ser internado em um hospital portando todos os seus documentos de identificação. Foram quatorze anos de sofrimento e de esperança porque que eu acreditava encontrá-lo com vida, diz Claudio revoltado.

INVESTIGAÇÃO

O erro, ou descaso do poder público, foi descoberto pela promotora Eliana Vendramini, durante uma investigação pelo Ministério Público pelo paradeiro de pessoas desaparecidas em São Paulo.

O próprio sistema pode ter sido responsável pelo desaparecimento de milhares de pessoas no estado, conclui a promotora.

Isso se dá porque o prazo legal para a família reclamar um corpo no IML, é de 72 horas, mesmo o corpo tendo identificação, ele é encaminhado como indigente pra uma vala comum, sem que haja qualquer tentativa de se avisar a família.


A partir desta descoberta, o Ministério Público agora quer saber porque as famílias não foram informadas. Segundo a promotora, o Código Civil obriga o serviço a fazer essa comunicação, porque o corpo pertence à família.

O MP agora pretende cruzar os nomes dos cerca de 3000 ''indigentes identificados'', com a lista de desaparecidos de S.Paulo, de forma a localizar e avisar os familiares e assim diminuir o número na lista dos desaparecidos.

Ainda segundo o MP, a polícia é obrigada a registrar boletins de ocorrência das mortes antes de enviar os corpos para o SVO. Da mesma forma, a polícia registra o desaparecimento quando as famílias dão queixa numa delegacia. Se a polícia tivesse cumprido esta exigência da lei, cruzando as informações, muitas famílias não estariam em busca dos seus desaparecidos.

ESTADO PODERÁ SER PROCESSADO


Uma reunião prevista para esta terça-feira, 22, promovida pelo Ministério Público de SP, poderá definir uma ação contra o Estado pelo enterro de pessoas identificadas.




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22/4/2014




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