Retrato em 3D dá nova chance a famílias de desaparecidos em São Paulo

postado em 2 de jun de 2012 20:40 por Amanda iab
No último 25 de Maio, a Polícia Civil de São Paulo, apresentou  a tecnologia de Progressão de Idade 3D. e Fabiana Renata Gonçalves, foi a primeira criança analisada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

No dia da apresentação, Dona Vera, mãe de Fabiana, estava sentada próximo ao telão e aguardava ansiosamente o novo retrato da filha. Foi quando então uma animação com a projeção de Fabiana, hoje com 33 anos, apareceu. “Não tenho palavras para explicar o que senti, foi como se ela tivesse voltado para mim. Na minha mente, ela ainda é aquela menina de 13 anos com uniforme. Não tinha pensado que hoje ela é uma mulher de 33 anos”, disse emocionada ao iG na sede da ONG Mães em Luta, no centro da capital.

 “É uma luta constante e só paro quando morrer, pois eu sinto que ela está viva. Mesmo após dez anos sei que um dia vou abrir o portão para a minha filha.” diz Zeni, mãe de Sthephany de Souza (Foto abaixo) desaparecida desde os 5 anos de idade. No próximo dia 15/6 estará completando 15 anos. 

 “A cada dia que passo longe dela dói. Sinto que estou perdendo a melhor fase da vida dela”, contou. Como a criança desapareceu quando tinha apenas cinco anos, tornou-se necessária a realização da imagem digitalizada e com progressão de idade.

“A foto digitalizada já me causou emoção, imagina se tenho a oportunidade de fazer em 3D? Mas tenho consciência que tive sorte em conseguir essa primeira análise. Muitas não têm a oportunidade de melhorar as fotos e continuam as buscas pelos filhos com imagens defasadas”, explicou Zeni.

Computação Gráfica a favor do desaparecido

é exatamente essa desatualização dos bancos de imagens que Sidney Barbosa, coordenador do setor de Arte Forense no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), quer exterminar. Há 25 anos trabalhando com retrato-falado e há 15 anos com progressão de idade, Barbosa explicou a importância das buscas serem acompanhadas pelos recursos tecnológicos.

“Uma busca constante sem a computação gráfica parece ser em vão. A pessoa desaparecida poderia passar do seu lado e você não conseguiria reconhecê-la”. O processo da Progressão de Idade em 3D é longo. Atualmente a equipe de arte da Polícia Civil conta com quatro especialistas e, por isso, a elaboração do retrato tridimensional pode levar até 30 dias.

Segundo o coordenador, nos próximos 15 dias, sua equipe será transferida para uma sala maior com quatro estações de computação gráfica e dois scanners de alta definição. “Com essas mudanças, conseguiremos otimizar o processo e gerar retratos em até 15 dias. Avançaríamos 15 anos de busca em apenas três semanas”.

Processo

Barbosa explicou ainda que o processo é complexo e, se realizado com pressa ou sem precisão, pode ocasionar “a distorção do desaparecido prejudicando as buscas”. Infelizmente, segundo o coordenador, o serviço exige alguns critérios. “As pessoas que sumiram há pelo menos 15 anos são o nosso primeiro alvo. Precisamos atualizar o banco nacional de desaparecidos.”

O primeiro passo, segundo o especialista, é a coleta de fotos da vítima, dos pais e possíveis irmãos. “Assim analisamos as características mais fortes da família e como a criança pode ter se desenvolvido”. O segundo passo é entender o contexto familiar.

“Caso a criança tenha fugido e seja usuária de drogas, por exemplo, há alterações físicas. Por isso, precisamos que as famílias sejam sinceras na coleta de informações.” Já envelhecido, o desaparecido receberá a animação tridimensional na terceira etapa.

O resultado é julgado então pela própria família que, em uma nova visita ao DHPP, irá validar a imagem. “Faço meu trabalho com muita satisfação. É o projeto da minha vida. Não espero encontrar milhares de crianças, mas se a polícia encontrar uma já pagou todo o meu trabalho e dedicação”.

Fonte: IG

Fabiana Renata Gonçalves Desaparecidos do Brasil

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