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Sulamita SCAQUETTI Pinto

postado em 19 de dez de 2011 13:01 por Amanda iab   [ atualizado em 14 de jun de 2014 14:25 por DESAPARECIDOS DO BRASIL ]
Atualizado - continua desaparecida.






Seguem cartas enviadas pelo pai de Sulamita, Sr. Moacyr Pinto.

"Desaparecimento da Sulamita: informações delicadas e renovação do pedido de ajuda

Prezados(as) amigos(as), companheiros(as) e profissionais da imprensa que vêm acompanhando o caso do desaparecimento da Sulamita,

 No próximo dia 16 estará completando 15 meses que a minha filha Sulamita, que fará 34 anos em fevereiro, foi vista entrando sozinha num morro considerado místico, na região do Montanhão, próximo à Via Anchieta, em São Bernardo do Campo-SP. Ela estava em “surto” emocional; foi procurada na mata durante uma semana e a sua roupa, encontrada pela família, não apresentou, segundo o laudo pericial, nenhum sinal de violência. Agora, uma informação que ainda não havíamos tornado pública, para não disseminar a idéia/presunção de que ela poderia estar morta - hipótese que somente iremos aceitar quando ficar definitivamente comprovado -,fato que poderia provocar desânimo e até o abandono da busca que vem sendo empreendida, tanto da parte daquelas pessoas e instituições que continuam de diversas maneiras nos ajudando, caso da imprensa, quando noticia diretamente o caso ou trata do problema (desaparecidos no Brasil) de maneira mais ampla; e das muitas pessoas e instituições - grande parte nossas desconhecidas - que têm nos ajudado de diversas maneiras pelo Brasil afora:

- No último dia 7, fez 5 meses que o Setor de Antropologia do IML Central de São Paulo coletou sangue meu e da Elvira, mãe da Sulamita, e enviou para o Instituto de Criminalística do Estado; para que fosse realizado o exame de DNA, comparando os sangues colhidos com o de um cadáver de mulher que foi encontrado por um lavrador no município de

Guararema-SP, no início do mês de outubro de 2010; menos de 15 dias depois do desaparecimento da Sulamita em S. Bernardo, portanto a aproximadamente 60 quilômetros dali.

Entregue à polícia, o cadáver foi enterrado como indigente e nós, família da Sulamita, fomos procurados pela mesma, 4 meses depois, já no mês de fevereiro, para avaliarmos umas fotos que haviam sido feitas antes do enterro; a Polícia Civil de Guararema chegou à conclusão que o cadáver poderia ser da Sulamita. Esse fato que nos levou, primeiro, a pedir que fosse feito um exame de DNA comparando o sangue da mãe com o material que tinha sido colhido e guardado pelo IML de Mogi das Cruzes; como o resultado advindo desse trabalho ficou inconcluso, suscitando muitas dúvidas; procuramos a Promotoria Pública de Guararema, que nos atendeu, solicitando a exumação do referido cadáver, fato que nos permitiu, além da coleta de sangue, desta vez também do pai, para comparação com o material disponibilizado pela

exumação, fornecer farto material radiográfico, além de um molde antigo da arcada dentária da Sulamita, para ser comparado com a do defunto exumado.

O fato animador de todo esse doloroso e demorado processo é que, ainda que oficiosamente, temos a informação, graças à análise antropométrica, já concluída, que o cadáver enterrado em Guararema não é da Sulamita; certeza absoluta somente haverá quando sair o resultado do DNA. Como isso está demorando demais para acontecer e o final do ano está se aproximando – quando muita gente sai de férias e viaja para muitas regiões do país, e até de outros continentes, portanto, uma boa ocasião para disseminar a procura – apelo, em meu nome e da família da Sulamita:

- TODOS QUE PUDEREM REPRODUZIR O CARTAZ QUE ESTAMOS ENVIANDO ATRAVÉS DO ANEXO, TANTO PARA FIXAR EM SEUS CARROS, ESTAÇÕES RODOVIÁRIAS, IGREJAS, ETC., COMO PARA PODEREM LEVAR PARA ONDE DER, ALÉM DE OBSERVAR MELHOR, ONDE ESTIVER – PRAIAS, CIDADES DO INTERIOR DO BRASIL, EVENTUAIS INSTITUIÇÕES PSIQUIÁTRICAS E/OU “COMUNIDADES RELIGIOSAS” QUE OPERAM EM REGIME DE INTERNATO, PELO PAÍS AFORA – COM O OBJETIVO DE NOS AJUDAR A LOCALIZAR A NOSSA FILHA; - QUEM PUDER, ESPECIALMENTE A IMPRENSA E AUTORIDADES PÚBLICAS, QUE PROCUREM AS AUTORIDADES POLICIAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO, TANTO PARA

SABER O QUE ESTÁ SENDO FEITO, INCLUSIVE O INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA, PARA SABER O PORQUÊ DA DEMORA EM RELAÇÃO AO RESULTADO DO DNA; - REPASSAR ESSAS INFORMAÇÕES, PELA INTERNET E OUTROS MEIOS, PARA QUE MAIS GENTE POSSA AJUDAR NA BUSCA.

Já há mais de um mês, contando com o resultado conclusivo do DNA, que, pelo prazo previamente indicado, estaria para sair, com o apoio do deputado estadual Hamilton Pereira (o mesmo que apresentou, aceitando nossa sugestão, um Projeto de Lei na Assembléia Legislativa paulista, com o objetivo de criar um serviço melhor estruturado de busca às

pessoas desaparecidas no estado), mantivemos uma conversa com o Dr. Arlindo Negrão, do DHPP, que é o Delegado Titular da Delegacia das Pessoas Desaparecidas em SP, tanto com o objetivo de alertá-lo para a necessidade haver um esforço no sentido de localizar a família do cadáver exumado em Guararema, antes do mesmo ser novamente enterrado,

caso venha a se confirmar que não é o corpo da Sulamita, como para discutir caminhos no sentido de continuar a busca pela nossa filha. Como resultado da conversa acima, a família decidiu pedir à Promotoria competente, no caso do Fórum de São Bernardo do Campo, a reabertura do inquérito, para que a Polícia Civil aprofunde as investigações relativas ao desaparecimento. Nosso pedido foi aceito pela Promotoria, mas o processo ainda não voltou para o Sexto DP daquela cidade, que é o responsável pelo caso. Até agora, nós, família da Sulamita, procuramos nos empenhar no sentido de tentar localizá-la, ainda que seja morta, como chegamos a pensar, quando vimos as fotos de Guararema; já pedimos apoio inclusive da Cruz Vermelha Internacional, através do seu representante que trabalha na localização de pessoas

desaparecidas, no Rio de Janeiro. Entendemos que chegou a hora de haver um esforço, maior e mais qualificado, aí dependemos das autoridades públicas, para tentar descobrir canais que nos levem a eventuais pessoas e/ou instituições envolvidas com o seu desaparecimento; caso elas existam.

Com a esperança de sempre, em relação ao nosso reencontro – pai, mãe, irmã e filho, além dos familiares e amigos – agradeço em meu nome, da Elvira e da Rosinha, irmã de Sulamita, a todos(as), pelo que já fizeram por nós e, temos certeza, ainda irão fazer!

Um fraternal abraço,

 

Moacyr pinto"

 








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Moacyr Pinto  

Caros senhor Pedro Gabriel e equipe (com cópia para as coordenações estaduais de Saúde Mental e núcleos de atendimento identificados em todo o país),

 Meu nome é Moacyr Pinto da Silva, Sociólogo e Educador aposentado, ex-Secretário Municipal de Educação em São José dos Campos – SP, onde resido, nos anos de 1993 e 94. Estou vivendo um drama pessoal e familiar, com certa repercussão na imprensa e na sociedade, para o qual estamos desesperadamente precisando de ajuda, fato que não nos impede de tentar colaborar para que outros casos idênticos ao nosso possam ser solucionados e, para isso, entendemos que a intervenção da rede de atendimento da Saúde Mental em todo o país poderá ser fundamental, minorando o sofrimento de muitos e aperfeiçoando e, porque não dizer, em muitos casos reduzindo a necessidade de atendimento para muitas pessoas que às vezes estão apenas precisando reencontrar o caminho de casa.
 
   Minha filha Sulamita,de 32 anos, com formação superior quase completa, mãe de um filho de 6 anos e que vinha levando uma vida relativamente normal nos últimos tempos está desaparecida desde o dia 16 de setembro de 2010, quando, em surto, muito provavelmente por ter parado bruscamente de tomar medicamentos anti-depressivos – ou de tê-los misturado com “drogas para emagrecimento rápido” – foi vista entrando em um “Monte”, desses para os quais algumas seitas evangélicas orientam seus fiéis para orar, de onde deve ter saído de alguma forma, porque, depois de 5 dias de intensas buscas em suas matas, a polícia especializada de São Paulo considerou que ali ela não estava mais, nem viva, nem morta; fato que aumentou as nossas esperanças de encontrá-la com vida. O monte fica em São Bernardo do Campo – cidade onde ela vinha vivendo já há 2 anos – nas margens da Via Anchieta.
 
   Meu pedido quase em desespero, em meu nome e em nome da minha família, é de ajuda da Coordenação Nacional de Saúde Mental, juntamente com as coordenações estaduais e os serviços locais, no sentido de tentar localizar e identificar a minha filha. Nosso pedido especialmente dirigido para vocês se baseia no fato de que, em nossa observação, a maioria das pessoas desaparecidas, em particular as adultas, estão com problemas mentais, muitas vezes com ocorrência de perda de memória ou equivalente, fato que dificulta o reencontro com a família.
 
   Não sei explicar tecnicamente, mas meu raciocínio, quero crer, é claro e facilmente compreensível. Nesses casos, temos sabido que, por vias as mais diversas, as pessoas que têm sido encontradas, a maioria o são pelo caminho do Setor de Saúde, especialmente da Saúde Mental.   
 
   Sendo assim, no caso particular da procura pela Sulamita, estou repassando para vocês duas fotos, em forma de cartazes, em word, que poderão inclusive ser impressos, um apenas do rosto, com ela numa situação de aparente depressão, por isso talvez mais próxima da sua realidade atual; e outra com diversas pequenas fotos onde ela poderá ser identificada, COM ESPECIAL ATENÇÃO PARA A PRESENÇA DE UMA GRANDE TATUAGEM COLORIDA NAS COSTAS, marca essa que certamente ela não perderá com o desgaste da rua.
 
   Não consegui obter o endereço eletrônico da maioria das unidades locais de Saúde Mental do país, por isso, peço-lhes encarecidamente, que nos ajudem a atingi-las, pois são elas que lidam com a realidade do dia a dia.
 
   Como SUGESTÃO MAIS AMPLA, gostaria de motivá-los a tomar a iniciativa – juntos aos organismos policiais, Secretarias de Direitos Humanos dos governos federal, estaduais e municipais, com apoio da imprensa, etc, etc, – no sentido de se criar uma REDE PERMANENTE DE BUSCA DAS PESSOAS DESAPARECIDAS em todo o país. Mais um dos nossos “problemas invísiveis”, que têm contribuído para aniquilar a existência de tantas famílias por todo o país, independente das condições sociais, ideologias, crenças, etc, etc. Temos visto mães, pais e irmãos procurando seus entes queridos há 15 anos, sem ao menos serem percebidos pelas autoridades e por quem não vive o problema.
 
   Pedindo desculpas pela tom desesperado e quase apelativo desse pedido de socorro, fico aguardando, com meus familiares o retorno de V. Senhorias.
 
 Desde já muito obrigado!
 
Moacyr Pinto da Silva
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