O desaparecimento mais antigo


CASO CARLINHOS

1973 - Um dos casos de crianças desaparecidas mais antigos que temos registro




Carlos Ramires da Costa foi sequestrado em sua residência, no Rio de Janeiro, no ano de 1973. É um caso repleto de lacunas e o mistério do seu desaparecimento nunca foi esclarecido.

Com dez anos na época, Carlinhos era um dos 7 filhos do casal Maria da Conceição Ramires da Costa (dona de casa) e João Mello da Costa (dono da Indústria Farmacêutica Unilabor (em Duque de Caxias).

De acordo com relatos de sua mãe, o garoto foi levado de casa por um homem que deixou um bilhete de regate, marcando hora, local e valor a ser pago e avisando para não chamarem a polícia (ela estava em casa sozinha com seus filhos). Como o bilhete acabou sendo publicado no jornal O Globo, os sequestradores jamais entraram em contato e Carlinhos nunca mais foi encontrado.

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 O caso teve grande repercussão na mídia










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40 ANOS DEPOIS O MISTÉRIO CONTINUA



O caso causou grande  comoção nacional. Não era comum, naqueles anos, ouvir  falar em sequestros e desaparecimentos de crianças. Não que não houvessem, mas a situação política era diferente.

Crianças  sempre desapareceram e, na grande maioria das vezes, passam desapercebidas pela grande sociedade. São nossas estrelas invisíveis, como eu as chamo, porque existem, mas ninguém vê.

Eventualmente, de tempos em tempos, um caso ganha maior atenção e a comoção é geral.  Podemos igualar o caso do Carlinhos, em termos de comoção,  ao atual caso do João Rafael Kovalski, 2 anos,  desaparecido no interior do Paraná e que alcançou a mídia nacional e internacional sem que se descubra o que aconteceu à ele.



Carlinhos - Progressão de imagem para 42 anos ( em 2005)


TECNOLOGIA


Quando Carlinhos desapareceu, foram usados todos os meios disponíveis na época, para  esclarecer aquele mistério, que desafiou todas as polícias, durante muito tempo.https://sites.google.com/a/desaparecidosdobrasil.org/desaparecidos-do-brasil/o-desaparecimento-mais-antigo

30 anos se passaram, e quem viveu  os anos 70, guardou na memória a imagem refletida de um menino loiro, bonito e sorridente. Somente no início do segundo milênio, foi possível saber, como seria a imagem daquele menino, nos dias atuais.

A imagem do Carlinhos adulto,  só foi possível graças ao projeto de Progressão de Idade, desenvolvido pelo professor e pesquisador em reconhecimento facial, Isnard Martins. 

Como explica Isnard, a progressão sofre influência do fundo ambiente. São fatores que vão desde acidente que deixa cicatrizes, passando por problemas de peso, até o estilo de barba e cabelo. Formato da boca e nariz, por exemplo, não mudam.

Outras imagens criadas e o histórico deste fantástico trabalho de reconstrução facial. Saiba mais...

 Imagens alternativas.








Maria da Conceição Ramires da Costa, 67 anos. Maria é mãe de Carlos Ramires da Costa, o Carlinhos, sequestrado aos 10 anos, em 1973, em Santa Tereza. O caso Carlinhos comoveu a opinião pública, e o rosto do menino ficou gravado na memória do País.










 1983 - UMA ESPERANÇA




Laudelino Flô, (foto com a mãe do Carlinhos 1983)  não imaginou que de repente, sua vida estaria entrelaçada para sempre com a história daquele famoso sequestro.

Uma mulher, em Caxias do Sul (ES) ao assistir a matéria, foi tomada por grande agitação. Imediatamente comunicou a produção do programa, informando que sabia onde Carlinhos estava.

A vida de Laudelino virou do avesso. De repente, aquele jovem, que não conhecia sua identidade e nem origem, viu seu nome  em todas as manchetes de jornais do país. 

A situação ficou ainda mais complicada, quando Maria da Conceição, mãe de Carlinhos, decidiu ir até Caxias do Sul, conhecer o rapaz e  ao vê-lo afirmou que era mesmo Carlinhos.  É para se compreender o coração de uma mãe diante de tal situação. Dez anos de dor e sofrimento, tudo que ela mais desejava, de repente estava ali a sua frente.

Mas os exames genéticos realizados na época não confirmaram o suposto parentesco e tudo voltou a estaca zero.



EM BUSCA DA ORIGEM



Laudelino Flô

30  anos se passaram, desde aquele episódio, mas  a partir dele, Laudelino criou dentro de si, um desejo grande de conhecer sua mãe biológica, que ele ainda não sabe quem é.


— Ganhei esse nome na certidão quando tinha 12 anos, depois que fui morar com um fazendeiro lá no Paraná. Eu não tinha documentos e esse fazendeiro ajeitou as coisas para mim. Escolhi Laudelino porque havia um bebê no circo com esse mesmo nome. Na minha certidão aparece e nome de uma mulher (Hede Fô) registrado como se fosse minha mãe, mas tenho certeza que não é ela pois ninguém nunca a encontrou — Em entrevista para a RBS em 2013.

Laudelino tem vagas lembranças de ter morado junto com seus pais e vários irmãos. Também lembra que foi parar em um circo, onde ficou trabalhando até fugir de lá. Depois disso, morou com um casal em Tijucas do Sul, e acabou indo parar em um restaurante, até  ser acolhido por um agricultor em são José dos Pinhais (PR) . Foi então que ganhou o nome de Laudelino e sua primeira Certidão de Nascimento. 



Por Amanda/iab




ENTENDA O CASO


1973 - No dia 2 de agosto, Carlos Ramires da Costa, 10, o Carlinhos, é sequestrado na casa de classe média da família, no Rio de Janeiro. O sequestrador invadiu a casa, trancou a mãe e seus seis irmãos em um quarto e fugiu levando o menino. Deixou um bilhete em que pedia resgate de Cr$ 100 mil (cerca de R$ 50 mil em valores atuais). A família chegou a oferecer o valor, conseguido com a ajuda de doações, mas ninguém apareceu para receber o resgate no local marcado.

1976 - A mãe de Carlinhos, Conceição Ramires da Costa, e o pai, João Mello da Costa, se divorciam. A mãe acusa o pai, que no dia do sequestro chegou em casa poucos minutos após o ocorrido, de não ter tentado impedir a fuga. O envolvimento de João Mello com o sequestro é amplamente investigado. A hipótese mais forte é de que ele teria forjado o sequestro por estar em em dificuldades financeiras, à beira da falência. Nada foi provado.

1977 - Quase quatro anos após o desaparecimento, é aberto o inquérito policial. Concluído em novembro, apontou um funcionário do laboratório farmacêutico do pai de Carlinhos como sendo o sequestrador. Em depoimento, uma irmã de Carlinhos afirmou tê-lo reconhecido. O homem chega a ser condenado, mas é solto por falta de provas.

1983 - Em Caxias do Sul, especula-se que Laudelino Fô, um menino que não lembra de sua origem e tem fisionomia semelhante a de Carlinhos, pudesse ser o filho de Conceição. A mãe vem a Caxias encontrar Laudelino e chega a se convencer de que se trata de Carlinhos. Os irmãos desconfiam. Semanas depois, exames descartam a hipótese. A manchete do Pioneiro do dia 21 de setembro destaca que Laudelino recebeu com naturalidade a notícia, mas queria ter mais respostas sobre seu passado. "...ninguém me explica como é que eu fui lembrar de tanta coisa lá do Rio", afirmou.

Ao longo dos anos, a família Ramires da Costa passou por pelo menos dez casos de aparecimentos de meninos que poderiam ser Carlinhos. No entanto, nenhum se confirmou. A família parou com as buscas pelo país, mas ainda tem esperanças de resolver o caso.  

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