Adotados em Israel procuram seus pais biológicos


 

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Por I.Amanda Boldeke - Junho de 2011

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Tráfico Internacional de Crianças 

Em fins dos anos 80, foi desvendada uma das maiores quadrilhas de tráfico internacional de crianças,  que atuava principalmente nos estados do Sul do Brasil a qual  vendia suas vítimas num esquema ilegal de adoção para casais da Europa, América e principalmente Israel, a preços milionários. 

ARLETE HILU

Em 1986 Arlete Hilu é denunciada por tráfico internacional de crianças e acusada de vender bebes para casais estrangeiros a preços que variavam de 5mil a 50 mil dólares por criança. É presa em 1988 e concedida a liberdade condicional em 1990 quando criou outra operação de tráfico de bebês principalmente nos três estados do Sul. Foi presa novamente em janeiro de 1992 quando então cumpriu nova pena e foi posta em liberdade. 

Geovani Barros de Azevedo, porta-voz da polícia federal no Rio de Janeiro ( 1986) em entrevista disse que as adoções ilegais por estrangeiros tornaram-se um grande negócio onde Israel, Inglaterra e Canadá eram os países que mais buscavam por adoções, principalmente crianças do Sul devido sua descendência européia. 

FALSAS PROMESSAS 

Mulheres disfarçadas de assistentes sociais procuravam por mulheres grávidas e as coagiam a entregar seus bebês assim que nascessem. 

“As mães eram levados a acreditar que poderiam visitar seus filhos sempre que elas quisessem e que se elas mudassem de idéia mais tarde, ainda poderiam ter seus bebês de volta”, disse Santana, ex-chefe da polícia em Itajaí, SC. Só em Itajaí a quadrilha vendeu cerca de 500 crianças, a maioria para Israel. 

Roseli Jorge, uma das mães enganadas, conta: “Eles roubaram a minha filha…Eu quero ela de volta, mas eu nunca vou vê-la novamente.” “Quando eu estava prestes a dar a luz, uma mulher me levou para o hospital e me deu 600 cruzados ($ 43) e uma folha de papel em branco para assinar o que ela disse ser um recibo pelo pagamento. A mulher disse que era uma assistente social e que o dinheiro seria para comprar roupas para o bebê. ” 

Roseli deu a luz uma menina de olhos azuis e a chamou de Daniela. Quando ela ia levar sua filhinha para a casa de sua mãe, a assistente social pegou o bebê, dizendo que o que ela havia assinado era um papel de adoção. 

Segundo a polícia, Daniela foi adotada por um casal israelense em 1985. 

CARLOS CESÁRIO PEREIRA

Em junho daquele ano de 1986, a Polícia Federal invadiu a casa do advogado Carlos Cesário Pereira, também envolvido no tráfico, uma maternidade e vários pontos secretos em Itajaí, no Sul de Santa Catarina, onde foram recuperadas 20 crianças. Carlos Pereira tinha um verdadeiro exército de enfermeiros, médicos, parteiras, funcionários do judiciário e da imigração, motoristas e compradores de bebes em sua folha de pagamento, que atuavam nos três estados do Sul. 

Os casais estrangeiros eram levados para uma elegante casa de campo nos arredores de Itajaí, onde passavam o dia e conheciam os recém nascidos trazidos de vários locais, que eles acreditavam serem para adoção legal.. 

Pereira em sua justificativa para o crime disse: “Muitas dessas crianças morreriam antes de um ano se permanecessem em seu habitat natural de extrema pobreza” 

Já o ex- policial Santana falou: “A venda de bebês precisa ter um fim porque não se pode por um preço em cima de uma vida humana”. 

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PAIS ADOTIVOS ENGANADOS



Os estrangeiros também eram enganados ao serem procurados por advogados, nem sempre idôneos, que contornavam as dificuldades burocráticas da lei brasileira, facilitando e agilizando a adoção. Ansiosos por adotar de forma rápida, eles não imaginavam que estavam infringindo a lei. Os traficantes mentiam para os pais adotivos dizendo que a regulamentação custava em torno de $ 5.000 a $ 10.000 dólares por criança. Na realidade a documentação toda não chegava a 500 dólares. 
“Não é o suficiente apenas punir os traficantes”, disse o Dr. Jose Raimundo da Silva Lippi, presidente da Associação Brasileira de Prevenção do Abuso Infantil. “Precisamos agilizar o processo de adoção para impedir esse tipo de coisa.” 

DIREITOS ROUBADOS

2011 - Passados quase 30 anos, essas crianças hoje adultas, querem conhecer suas origens biológicas. A Constituição Brasileira lhes garante este direito (Lei da Adoção), porém muitos desses jovens tem procurado junto a Embaixada Brasileira, e Órgãos do Governo Federal alguma informação de como podem obter ajuda para encontrarem suas famílias, mas não tiveram respostas positivas. Seguem os casos dos jovens de Israel em busca de sua história biológica..... Onde estão nossas mães? 



(Informações colhidas em depoimentos encontrados na net e antigos jornais.)
 

 Tráfico de crianças, Desaparecidos do BrasilTráfico de Crianças , Desaparecidos do Brasil

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Julho de 2011. IAB

Carta foi enviada à Presidente Dilma Roussef
Fonte: Notícias da Rua Judaica

O maior jornal de Israel, o Yedioth Aharonoth, publicou uma reportagem com dez jovens de 20 e poucos anos, todos adotados no Brasil.

Estima-se que 3 mil bebês brasileiros tenham sido adotados por israelenses na década de 80, muitos deles com documentação falsificada.

A matéria consiste numa série de cartas que esses jovens enviaram para a cineasta israelense Nili Tal, que fez dois filme sobre essas adoções, "The girls from Brazil" (2007) e "Bruna" (2008).


Com autorização dos jovens, a cineasta decidiu enviar as cartas para a presidente do Brasil Dilma Rousseff via a embaixada do Brasil em Tel Aviv.

Nas cartas, os jovens adotados revelam que sonham encontrar suas mães biológicas brasileiras. Alguns deles tentaram, mas não conseguiram por causa dos papéis falsificados ou simplesmente porque não obtiveram informações. Todos sentem um grande vazio por saberem de onde são, mas não de quem são realmente filhos.

Veja as respostas do Governo brasileiro aos adotados .Leia mais...



Foto arquivo jornal





"Ninguém pode se colocar no lugar de uma criança adotada. Vivo com uma sensação de orgulho porque fui escolhida, mas também nutro emoções difíceis por ter sido entregue, porque não me quiseram. Pode ser que esse meu ciclo se feche quando eu for mãe. Uma das frases que mais me lembro dos meus pais é a de que eu não vim 'da barriga' e sim 'do coração'", escreveu Racheli Roth, de 21 anos, que nasceu com o nome de Karen na cidade de Curitibanos, em Santa Catarina.

Racheli também conta, na carta, que viajou ao Brasil para encontrar sua mãe biológica, que, segundo os documentos da adoção, se chama Elisa Maria do Amparo. Mas não conseguiu encontrá-la. Sua frustração ecoa a dos outros jovens, alguns dois quais pedem a ajuda do governo brasileiro para realizar o sonho de conhecer seus pais biológicos.

Fonte: NRJ

NOTA Desaparecidos do Brasil - Desde 2009 temos tentado, através do nosso grupo de ajuda aos adotados de Israel, contatos com órgãos  do governo mas a resposta é sempre negativa. Até este momento, ninguém se dispôs a realmente assumir a responsabilidade sobre esta questão humanitária onde o Brasil tem sim responsabilidade e deve-lhes uma resposta e a solução para a busca da origem de suas famílias biológicas. 

Atualização em Agosto/2012 - Finalmente uma luz no final do túnel...Ministra Rosário, dos Direitos Humanos, propõem ajuda aos adotados de Israel....