Trabalho escravo em frigorífico no Paraná

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) encontrou 71 imigrantes paraguaios irregulares no frigorífico Nostra, da empresa VL Agro-Industrial Ltda, no município de Cambira (PR), em fiscalização realizada em 31 de outubro, quarta-feira. De acordo com o procurador Heiler Natali, que organizou a inspeção, eles são vítimas de tráfico de pessoas e estavam submetidos a condições análogas às de escravos. "Os elementos da investigação permitem a conclusão de que a situação caracteriza, em tese, tráfico de pessoas e trabalho escravo. Eles foram recrutados no Paraguai”, diz o membro da Procuradoria do Trabalho da 9ª Região (PRT-9). A empresa admite que imigrantes estavam empregados em situação irregular, mas nega a existência de condições degradantes e o envolvimento em tráfico de pessoas.

De acordo com o MPT, os empregados estavam submetidos a jornadas superiores a dez horas — há casos de jornadas de até 17 horas — e recebiam descontos nos salários. Dos 71 empregados, 69 estavam com a documentação irregular, sem visto de permanência no Brasil ou carteira de trabalho assinada. A denúncia que baseou a fiscalização partiu da Polícia Federal (PF), que inv
estiga o envolvimento de um empregado da Nostra em uma rede de tráfico de pessoas e apura a responsabilidade da empresa no caso.












O advogado da VL Agro-Industrial, José Edilson Miranda, admite que imigrantes estavam empregados em situação irregular, mas nega a existência de condições degradantes. Ele alega que a empresa vinha tentando acertar a situação, mas não conseguiu porque a PF, órgão responsável por conceder visto de permanência a estrangeiros, ficou em greve nacional até o último dia 15. “Imigrantes não conseguiram a regularização em virtude desta greve”, defende.

José Edilson também diz que eles vieram espontaneamente procurar emprego na unidade da empresa em Camburi (PR), porque os frigoríficos em que trabalhavam no Paraguai haviam sido fechados. Além disso, ele salienta que a mão de obra para o setor precisa ser especializada e, na região em torno do município paranaense, não há número suficiente de pessoas disponíveis.

Para a PF, entretanto, essas informações do advogado da empresa podem “não fazer sentido”. “A maioria dos estrangeiros estava irregular há mais de 90 dias”, conforme explica a assessoria de imprensa da delegacia em Maringá (PR), departamento que enviou o contingente de policiais à fiscalização. Segundo os agentes federais brasileiros, os estrangeiros trabalhavam em frigoríficos no Paraguai que fecharam por volta de 4 ou 5 anos atrás.

Fonte Reporter Brasil